Esses dias, refletindo sobre os conceitos que sempre fizeram parte do meu olhar sobre o marketing, me peguei pensando no abismo que se criou entre a técnica e a essência no mercado da comunicação, especialmente no mercado imobiliário, que é o meu chão há tanto tempo.
Sinto uma saudade real do tempo em que a propaganda era um privilégio de marcas que tinham coragem de pensar. Éramos impactados por campanhas pensadas para durar, carregadas de propósito e inteligência. Naquela época, a publicidade era muito mais do que “startar anúncios pagos no Meta”. Criar uma narrativa era um exercício de estratégia, de entender de gente e de construir uma alma para o negócio.
Hoje, ao longo dos meus quase 15 anos de liderança — tanto na área de tecnologia imobiliária quanto à frente de imobiliárias —, sinto uma falta imensa, no papel de líder, de profissionais que pensem, planejem, criem e contem histórias com criatividade. A realidade que encontro nos processos seletivos é desanimadora: recrutamos para a área de comunicação, exigimos formação e bons currículos, mas a expertise da maioria se resume a “gestão de tráfego”, social media, criação de artes e copys via GPT.
Fico me questionando: onde estão os estrategistas? Será um problema das novas gerações, uma falha das escolas de comunicação e marketing ou uma falha nossa, empresários do imobiliário? Afinal, fomos nós que moldamos nosso propósito de negócio esquecendo de cuidar da marca para nos aventurarmos em gerar leads ininterruptamente, apenas para abastecer um salão de vendas sedento pelo “novo cliente”.
Nessa busca desenfreada pelo próximo clique, esquecemos que esse cliente está aqui e em mais dez empresas do ramo ao mesmo tempo. Cobramos o marketing diariamente por qualquer oscilação no volume de leads. Sem branding, somos apenas mais um atendendo o mesmo cliente. O digital democratizou o acesso ao mesmo tempo em que colocou o bom publicitário estratégico em extinção. O mercado imobiliário ficou dependente, quase viciado, no lead imediato. Publicidade sem estratégia é só barulho. E barulho não constrói autoridade. O marketing de performance pode até trazer o contato, mas é o olhar atento para a cultura organizacional que constrói a reputação. O tráfego gera o clique, mas é o branding alinhado à cultura de processo que se aplica em todas as área da empresa, que agrega alto valor.
Publicidade não é apertar botão. É entender de gente. E gente se conecta com histórias, não com pixels. Quando o conhecimento/escola e o mercado focam apenas na ferramenta, perdemos a capacidade de criar conexão real. O tráfego pago deve ser o veículo, nunca o motorista. O mercado não precisa de mais ruído e excesso de mídias pagas em rede social, precisa de storytelling e de estratégia. A publicidade está banalizada e entendo que o sucesso pertence às marcas que souberem virar esse jogo e entender a importância de todas as frentes da comunicação para o seu negócio. Quem entender que a ferramenta deve servir à ideia — e não o contrário — vai parar de ser refém dos algoritmos. O que você acha?